Empresa de transporte de valores é acusada de furtar R$ 22,7 mi que seriam depositados em caixas eletrônicos


A Polícia Civil indiciou e pediu a prisão preventiva de três sócios e de um funcionário da extinta Embraforte, empresa de transporte de valores que tinha sede em Belo Horizonte. Os envolvidos são suspeitos de roubar R$ 22,7 milhões do Banco do Brasil (BB). Segundo o inquérito policial, obtido com exclusividade por O TEMPO, os donos da empresa coagiam seus vigilantes a abastecer os caixas eletrônicos com valores menores que os declarados ao sistema do banco. A Embraforte é também alvo em outro inquérito, esse da Polícia Federal tendo a Caixa Econômica como vítima.

A empresa de valores prestou serviço ao Banco do Brasil entre 2007 e 2013, em Belo Horizonte e em duas cidades do Sul de Minas (Varginha e Passos). O pedido de prisão feito em 12 de junho é contra os donos da Embraforte – Marcos André Paes de Vilhena e seus filhos Pedro Henrique Gonçalves de Vilhena e Marcos Felipe Gonçalves de Vilhena – e o gerente da empresa e braço direito dos proprietários, Mário Pereira de Carvalho.

O grupo esteve à frente da Embraforte entre 2006 e janeiro de 2014, mas não há no inquérito informações sobre por quanto tempo o roubo foi praticado. O delegado responsável pelo pedido de prisão, Cláudio Utsch, no entanto, afirma no inquérito que o esquema se deu na sombra do prestígio da irmã e tia dos donos da Embraforte, a secretária de Estado de Planejamento entre os anos de 2006 e 2014, Renata Vilhena. “O poder de Renata esteve sempre pronto a auxiliar o irmão (Marcos Vilhena)”, consta no inquérito. Procurado nesta quarta pela reportagem, Cláudio Utsch não quis se pronunciar.

O roubo. A investigação da Polícia Civil apontou que os malotes saíam da Embraforte para abastecer os caixas eletrônicos com a guia de controle trazendo um valor maior que o montante presente no pacote. Quando abriam o malote para colocar o dinheiro no caixa, os vigilantes percebiam a divergência, porém eram coagidos a indicar no sistema bancário que o abastecimento estava sendo realizado com o valor devido.

Vários funcionários confirmam o esquema em seus depoimentos. Eles afirmam que a maioria dos caixas eletrônicos tinha que ser abastecido com R$ 220 mil, mas apenas R$ 110 mil eram de fato repassados aos terminais. Quando questionavam seus superiores, eram informados de que a operação era realizada com ciência do Banco do Brasil.

Com acesso às datas das auditorias feitas pelo banco, a empresa reabastecia os caixas um dia antes – o dinheiro era levado dentro de sacos de lixo em carros pequenos, segundo depoimentos.

O banco começou a perceber o problema em 2013 ao estranhar a reclamação de clientes de que não havia dinheiro nos caixas, mesmo com o sistema apontando o contrário. Além disso, apesar de as auditorias não apontarem falta de dinheiro no equipamento, os valores das cédulas não batiam com a descrição das guias de depósito. Ao conferir, o BB rastreou alterações não programadas nos caixas feitas pela Embraforte.

Após a constatação da fraude, Marcos Vilhena teria reconhecido o rombo em reunião com o banco e se comprometido a devolver o valor, o que não aconteceu.
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