Deputado Deiró, Presidente da Comissão de Transporte da ALMG conduz importante audiência que discutiu a suspensão de voos do Aeroporto da Pampulha

5/05/2015 A suspensão iminente de voos da Azul Linhas Aéreas do Aeroporto da Pampulha, em Belo Horizonte, para cidades do interior do Estado preocupa os deputados da Comissão de Transporte, Comunicação e Obras Públicas da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), que realizou na tarde desta terça-feira (5/5/15) audiência pública sobre o assunto.

Entre as decisões tomadas no debate está o agendamento urgente de uma reunião da comissão com a direção da Agência Nacional da Aviação Civil (Anac) para tentar reverter a medida, conforme reforçou seu presidente, Deiró Marra (PR). Além desse parlamentar, os demais autores do requerimento que possibilitou o debate foram os deputados Ivair Nogueira (PMDB), Isauro Calais (PMN), Bonifácio Mourão (PSDB), Carlos Pimenta (PDT), Celinho do Sinttrocel (PCdoB) e Alencar da Silveira Jr. (PDT).

Informações divulgadas pela Azul ainda no final de março dão conta de que a previsão do início das mudanças é a próxima segunda-feira (11). A compra de passagens nas rotas afetadas já teria sido bloqueada. Voos com destino a Ipatinga (Vale do Aço), Governador Valadares (Vale do Rio Doce), Montes Claros (Norte de Minas), Uberlândia (Triângulo Mineiro) e ainda Guarulhos (SP), que partem do Aeroporto da Pampulha, serão direcionados para o Aeroporto Internacional de Confins.

A Azul continuaria operando no aeroporto central de Belo Horizonte apenas voos com destino a Campinas (SP), Vitória e Brasília. Na outra ponta, o Governo do Estado e a Infraero estariam interessados em estimular a capacidade de voos na Pampulha, esforço que seria direcionado justamente aos voos para outras capitais, com aeronaves maiores, o que desagrada os moradores da região, que temem o aumento do barulho, falta de segurança e impactos no trânsito, conforme vários depoimentos feitos ao final da reunião.

Segundo informações da Infraero, o Aeroporto Carlos Drummond de Andrade, mais conhecido como Aeroporto da Pampulha, iniciou suas atividades em 1933, para receber então os voos do Correio Aéreo Militar. O terminal recebeu sua primeira linha aérea comercial (Belo Horizonte-Rio de Janeiro) em 1937 e foi a única opção para o passageiro da Capital até a inauguração do Aeroporto de Confins, em 1983. Seu recorde de movimento foi registrado em 2002, com 3.073.976 passageiros.

A decadência do aeroporto começou em 2004, com a decisão do Governo do Estado de priorizar voos em Confins, então subutilizado. Naquele ano, 2,3 milhões de passageiros utilizaram o Aeroporto da Pampulha, contra 290 mil em Confins. No ano passado, foram quase 12 milhões em Confins, contra 950 mil na Pampulha.

De 2007 a 2010, o aeroporto ficou completamente fechado para esse tipo de voo. Em 2010, a portaria da Anac que estabelecia critérios para operações no Aeroporto da Pampulha, entre eles a restrição de pousos e decolagens com aeronaves acima de 50 assentos, foi derrubada. A partir daí, a autorização de voos vem sendo avaliada caso a caso pela Anac e outros órgãos envolvidos, conforme chegam os pedidos das companhias aéreas. Agora, a melhor perspectiva para o Aeroporto da Pampulha, segundo a maioria das opiniões defendidas na audiência da Comissão de Transporte, vai na contramão da decisão da Azul, ou seja, o aumento dos voos regionais.

Azul prioriza conexões em Confins

O assessor da Presidência da Azul para Assuntos Institucionais, Ronaldo da Silva Veras, confirmou a decisão, mas disse que a empresa está disposta a rediscutir o assunto. Ele reforçou ainda o compromisso da Azul com o desenvolvimento do Estado. “Minas é o segundo principal hub de operação da empresa. São 82 operações diárias em Confins e 11 na Pampulha. Temos aqui um call center com 500 pessoas, com a perspectiva de mais contratações; e quatro hangares na Pampulha, com alguns tipos de manutenção de aeronaves. Nós não reclamamos da falta de equipamentos, brigada de incêndio e outros problemas em alguns aeroportos mineiros. Em Governador Valadares, por exemplo, não temos operações por instrumentos à noite devido à presença de uma linha de trem. Mas não dá mais para termos somente voos regionais na Pampulha”, apontou.

“Quem vem de Governador Valadares tem acesso a 34 conexões por dia em Confins. Embarquei recentemente em um voo de Valadares para BH e, dos 64 passageiros na aeronave, só cinco tinham BH como destino final. Fizemos estudos antes de tomar esta decisão e os resultados dessas mudanças serão interessantes. Esses passageiros vão evitar ter que pegar um ônibus ou outro meio de transporte para Confins”, acrescentou o executivo da Azul. Segundo ele, em contrapartida, a empresa deve anunciar em breve operações em novas cidades do interior mineiro, como em Varginha (Sul de Minas), mesmo em um cenário de aumento de custos com a alta do dólar. O preço médio das tarifas, segundo ele, foi reduzido em 50% nos últimos dez anos no País.

Gol - O diretor de Relações Institucionais da Gol, Alberto Fajerman, também defendeu o aumento de opções de ligação entre as capitais voltadas sobretudo para viagens de negócios. “Confins será sempre mais adequado, sobretudo por ter mais opções de ligações nacionais e internacionais, mas não entendo o porquê de o Aeroporto da Pampulha ter limitações, que não são apenas técnicas, para pousos e decolagens de aeronaves. Os aviões de hoje são todos da chamada categoria 3, menos ruidosos, e podemos atuar dentro da faixa das 6 às 23 horas, para limitar o incômodo”, destacou o executivo. Ele lembrou ainda o fato de a empresa ter sido fundada por um empresário de Patrocínio (Alto Paranaíba) e manter em Confins um centro de manutenção que é o maior do gênero na América do Sul.

O parlamentar patrocinense afirmou: “Sabemos que a Azul não pode manter uma operação deficitária, mas a taxa de ocupação não aponta um déficit operacional. Eu voo por toda Minas Gerais e não vejo isso. Há demanda reprimida até para mais horários, como no Triângulo Mineiro. Acho que a decisão da Azul foi precipitada”, avaliou o deputado Deiró Marra, que conduziu os debates.


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